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UM OUVIDO, POR FAVOR!

Às vezes nos dá aquela vontade danada de discutir umas ideias que temos na cabeça e achamos maravilhosas, com alguém que temos certeza que vai nos entender. Tudo bem se a vontade de telefonar não for às oito da manhã e o nosso interlocutor não for puro instinto até passar o mau humor matinal. Até tentamos segurar a ansiedade, mas não é sempre que se consegue. O resultado é inevitável. Tudo o que retorna do outro lado é um balde de água fria. “Oi, tudo bem”. Você espera e nada daquele “que prazer te ouvir!” costumeiro. É o suficiente para abortar seus pensamentos, por mais brilhantes que eles inicialmente tenham parecido. E aí nos convencemos que o melhor lugar para eles é lá no fundo do nosso cérebro. É complexa a sintonia entre o nosso momento e o do outro, mesmo os mais íntimos. Estamos loucos para conversar e só de olhar a cara do(a) parceiro(a), dá para ver raios e trovões se armando e o olhar ferino que nos é dirigido, nos desencoraja no ato. Ou então, estamos com uma dorzinha no …
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Capela São Francisco. Inspirada na Igreja de Santa Maria dos Anjos da Porciúncula. Assis, Itália

Caminhos de Francisco

Toda energia

A Lei de acesso à informação. Cuba e Angola: Empréstimos com carimbo de "SECRETO"

Aproveitando o debate que tivemos hoje em aula sobre a abertura ou não dos arquivos dos tempos da repressão, comentamos matéria publicada em 09/04/2013, pela Folha de São Paulo, de autoria do jornalista Rubens Valente, intitulada Brasil coloca sob sigilo apoio financeiro a Cuba e a Angola.
A notícia de que o governo federal, através do Ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, classificou como secreta a documentação que trata dos financiamentos do Brasil aos governos de Cuba e Angola surpreende e, poderia passar despercebida de todos nós. Certamente, os meios de comunicação ficaram sabendo disso através do artigo 30, inciso II, da Lei nº 12.527, de 18/11/11, a Lei de Acesso à Informação, que prevê a publicação anual pela entidade máxima de cada órgão responsável do “rol de documentos classificados em cada grau de sigilo. O cidadão comum, que em 2012 festejou a publicação da chamada Lei de Acesso à Informação, pode se indagar:
“Que tipo de documento pode conter informação classific…

Reflexões sobre cérebro e consciência. Parte III

Para a neurocientista e baronesa britânica Susan Greenfield, palestrante da conferência Fronteiras do Pensamento, de 22/09/2012, em Porto Alegre, com o tema o cérebro do futuro, o futuro do cérebro,“À medida que evolui, o cérebro humano consegue se libertar da tirania dos genes e se adaptar ao ambiente. A isso chamamos plasticidade, que vem do grego plastikos, que quer dizer ser moldado. Por cem mil anos, tempo em que o homem está no planeta, nenhum outro ser desenvolveu um cérebro como o seu”.
Professora da Universidade de Oxford, a neurocientista dedica-se ao estudo da fisiologia das doenças de Alzheimer e de Parkinson, além de trabalhar como divulgadora científica. A baronesa é voz dissonante na comunidade científica e fora dela; por defender que e ambiente virtual afeta de forma negativa o cérebro humano. Ela, inclusive, levou para o parlamento britânico, do qual faz parte; a discussão sobre a regulação do uso da internet e possíveis efeitos nocivos de seu uso sobre crianças.
Alé…

Reflexões sobre cérebro e consciência. Parte II

A consciência é uma qualidade da mente. Abrange outras designações, tais como subjetividade, autoconsciência, sapiência, e a capacidade de perceber a relação entre si e um ambiente. É objeto de pesquisa no âmbito da ciência cognitiva e suas especialidades, médicas ou não, que vão desde a neurologia, a psicologia, a antropologia, passando pela filosofia da mente, além da inteligência artificial. Descobrir se estados mentais são estados cerebrais é dúvida antiga. O divisor de águas é o pensamento do filósofo e médico, Renè Descartes ao afirmar que estados mentais e estados cerebrais não são a mesma coisa. Ao defender a existência de um centro cerebral da consciência naglândula pineal e que, através dela, a alma se comunicaria com o soma (corpo), Descartes respondeu de forma original para o século XVII, à pergunta que sempre inquietou os humanos: — Quem somos nós?
Três séculos depois, o filósofo da mente, Daniel Dennett contesta a validade da teoria de Descartes. Para Dennett, nosso cér…

Reflexões sobre cérebro e consciência - Parte I

Reflexões sobre cérebro e consciência. Parte I.
Consciência no sentido clássico é o estado em que a pessoa está ciente de suas ações físicas e mentais, só ocorrendo quando se está acordado e alerta.
Por volta do século V a.C. o cérebro passou a ser reconhecido como o centro das atividades mentais, mas a idéia da existência de uma substância responsável pela formação da consciência, a dualidade herdada da antiguidade grega, persistiu.
No século XVII, o filósofo e médico René Descartes, afirmou que a alma — mente — (e, por dedução a consciência) se dissociam do cérebro e do corpo. Somos uma mente que interage causalmente com um corpo e esse corpo se comporta como uma máquina. Essa alma não existe nos animais e nos autômatos (sim, Descartes imaginou os robôs). Possuímos comportamento reflexo; e, o cérebro é o local onde nossos pensamentos ocorrem. Estava criado o dualismo moderno, a doutrina segundo a qual mente e corpo são radicalmente distintos.
Desde então dualistas e materialistas (ou…