Pular para o conteúdo principal

Mau Humor Matinal



Tem dias que achamos que estamos fazendo mais pelos outros do que aquilo que julgamos que eles sejam capazes de merecer. Parece que a nossa cota de gentileza esgotou-se e aqueles que nos rodeiam estão em débito conosco.

Há dias em que acordamos com a cara feia e que temos de concordar que o nosso bom dia sai meio azedo. Não é um bom dia de boca escancarada, acompanhado de um sorriso que vem de dentro. É um balbucio, que preferiríamos até não esboçar, mas que a cortesia do dia a dia nos impõe. O mínimo que esperamos é que o outro enxergue o nosso mau humor matinal, respeite-nos e fique quieto também. Embora nos levantemos às sete da manhã, nosso corpo só vai dar por conta que já está de pé lá pelas dez horas. Aí sim é que vamos entrar no ar como se a inércia sumisse repentinamente e nos invadisse a vontade de cantarolar: “...deixa vida me levar, vida leva eu...” Ô Zeca Pagodinho filósofo que só. O rádio a estas alturas já está ligado ou o fone de ouvido e então abrimos o melhor sorriso para quem estiver em volta. Simples, assim. Tão fácil de entender, pensamos.

É difícil ser gentil sempre, seja em casa, no trabalho ou com os amigos. Quanto mais íntimos, mais cremos que eles são capazes de nos entender nos momentos difíceis, que estamos “fechados para balanço” ou que são traços da nossa personalidade, peculiaridades do nosso funcionamento. Aí é que a coisa pega. O outro lado também espera o mesmo de nós e o que dizemos abruptamente nessas horas, sem pensar, magoa e fica remoendo. Tira o sabor dos bons momentos compartilhados.

Lembro-me de uma cena de um filme de desenho animado da Disney, onde coelhinho de nome Tambor faz troça das pernas desengonçadas do Bambi que está aprendendo a andar. É quando mamãe coelha diz mais ou menos assim: - Tambor, lembre-se do que seu pai lhe disse: Se não puder dizer uma coisa agradável, então é melhor que não diga nada – Pode ser uma boa saída.

Comentários

  1. Olá amiga, saudades de você, parabéns pelo texto, é ótimo como todos que escreve.Beijo no coração.Arnoldo Pimentel

    ResponderExcluir
  2. Concordo inteiramente com você Rackel. É impossível estar sorrindo o tempo todo, mas infelizmente somos pegos pelo dia anterior ou alguma notícia ruim que atrapalhará nosso desperta. É difícil, mas temos de lutar o tempo todo contra isso.
    Muito bom o seu texto.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Por favor, deixe aqui sua opinião sobre o texto.

Postagens mais visitadas deste blog

A métrica no poema e como metrificar os versos de um poema.

Texto publicado no site Autores.com.br em 25 de Novembro de 2009
Literatura - Dicas para novos autores Autor: PauloLeandroValoto
"Alguns colegas me abordam querendo saber como faço para escrever e metrificar os versos de alguns de meus poemas. Diante desta solicitação de alguns colegas aqui do site, venho explicar qual a técnica em que utilizo para escrever poemas com versos metrificados. Muitos me abordam querendo saber: - Como faço? - Como é isso? - O que é métrica? - Como metrifico os versos de meus poemas? - Quero fazer um tambem. - Me explique como fazer. Vou descrever então de uma forma simples e objetiva a técnica que utilizo para escrever poemas metrificados. Primeiro vamos falar de métrica e depois vamos falar de como metrificar os versos de um poema. - A métrica no poema: Métrica é a medida do verso. Metrificação é o estudo da medida de cada verso. É a contagem das sílabas poéticas e as suas sonoridades onde as vogais, sem acentos tônicos, se unem uma com as outras formando um som …
Toda energia

POESIA VISUAL: De Simmias a Joan Brossa, Uma Conexão com o Cotidiano

POESIA VISUAL: Uma Conexão Com o Cotidiano
O olhar e o falar nas diversas formas de Arte
    Quando a transmissão de conhecimento era basicamente oral, a realidade era uma só para todos. Se todos diziam as mesmas palavras, não havia diferença. As palavras tinham o status de realidade, desbancando a visão particular. Logo, a verdade era algo sobre o quê a maioria dizia as mesmas frases.
    A palavra é a ferramenta básica da poesia, mas isto não impede que no feitio do poema - transcrição de um indivíduo de como ele enxerga a realidade aparentemente única – os poetas agreguem materiais e/ou maneiras de se exprimir diversas, que conferem peculiaridades à poesia, sem perder a essência.
    Isso também acontece nas demais espécies de Arte, este amplo território do sensível, materializado em pintura, música, filme, teatro, literatura, escultura e as múltiplas formas de espetáculo. Há sempre um novo fazer artístico sendo agregado.
    Na Arte contemporânea o artista usufrui como nunca do direito…