Pular para o conteúdo principal

Desencontro de Expectativas


São quase 13:30 horas e o comércio ainda está fechado. Se estivesse aberto compraríamos a meia que está faltando. Não podemos sair do trabalho durante o expediente, seria bom para quem precisa do horário, atenderia às suas necessidades. Que bom se as nossas expectativas fossem acolhidas e ambas as partes saíssem satisfeitas.

No terreno das relações interpessoais esperamos dos outros mais do que eles julgam que somos merecedores. Resulta em conflito e pelo simples motivo das pessoas não adivinharem o que pensamos. Passamos então para o jogo dos sinais. Recolhemos pistas, tentamos montar o quebra-cabeças interminável que é conseguir que todos fiquem satisfeitos e com o mínimo de rusgas possíveis. Trata-se de política de boa vizinhança, sabemos, mas nem sempre podemos dizer o que queremos. Não dá para rotular como hipocrisia. Estratégia, apenas. Na pretensão de sermos autênticos, magoamos o interlocutor, simplesmente porque não era a hora certa para tocar no assunto. Precisamos de vez em quando engolir em seco e esperar o momento oportuno, mesmo que seja verdade para nós. Verdade é uma questão de ângulo. Muitas vezes ouvimos alguém dizer que “falei aquilo tudo porque era o certo”. Certo para quem? E a verdade do outro? O contexto em que ele foi criado, sua cultura, suas crenças, não contam para o que o enfoque dele seja também “a verdade”? Não somos obrigados a concordar com princípios que não são os nossos. Mas é sinal de respeito ouvir e, se mudará o nosso posicionamento frente ao assunto é outra estória. No mínimo, exercitaremos o respeito pela pessoa humana.

Quando procuramos saber as razões do comerciante pelo fechamento do meio dia, podemos provocar nele a semente da mudança, se a pretensão individual também for uma necessidade dos outros clientes. Talvez tenhamos que nos adaptar se ela for isolada, se a relação custo-benefício não compensar. Pode haver alguma convenção legal, alguém teria que estar presente para o atendimento, o que pode não ser bom para o dono do negócio.

Posicionando-nos do outro lado, vemos os fatos, sob a ótica de quem os defende e, se não concordamos, pelo menos compreendemos as suas razões.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A métrica no poema e como metrificar os versos de um poema.

Texto publicado no site Autores.com.br em 25 de Novembro de 2009
Literatura - Dicas para novos autores Autor: PauloLeandroValoto
"Alguns colegas me abordam querendo saber como faço para escrever e metrificar os versos de alguns de meus poemas. Diante desta solicitação de alguns colegas aqui do site, venho explicar qual a técnica em que utilizo para escrever poemas com versos metrificados. Muitos me abordam querendo saber: - Como faço? - Como é isso? - O que é métrica? - Como metrifico os versos de meus poemas? - Quero fazer um tambem. - Me explique como fazer. Vou descrever então de uma forma simples e objetiva a técnica que utilizo para escrever poemas metrificados. Primeiro vamos falar de métrica e depois vamos falar de como metrificar os versos de um poema. - A métrica no poema: Métrica é a medida do verso. Metrificação é o estudo da medida de cada verso. É a contagem das sílabas poéticas e as suas sonoridades onde as vogais, sem acentos tônicos, se unem uma com as outras formando um som …
Toda energia

POESIA VISUAL: De Simmias a Joan Brossa, Uma Conexão com o Cotidiano

POESIA VISUAL: Uma Conexão Com o Cotidiano
O olhar e o falar nas diversas formas de Arte
    Quando a transmissão de conhecimento era basicamente oral, a realidade era uma só para todos. Se todos diziam as mesmas palavras, não havia diferença. As palavras tinham o status de realidade, desbancando a visão particular. Logo, a verdade era algo sobre o quê a maioria dizia as mesmas frases.
    A palavra é a ferramenta básica da poesia, mas isto não impede que no feitio do poema - transcrição de um indivíduo de como ele enxerga a realidade aparentemente única – os poetas agreguem materiais e/ou maneiras de se exprimir diversas, que conferem peculiaridades à poesia, sem perder a essência.
    Isso também acontece nas demais espécies de Arte, este amplo território do sensível, materializado em pintura, música, filme, teatro, literatura, escultura e as múltiplas formas de espetáculo. Há sempre um novo fazer artístico sendo agregado.
    Na Arte contemporânea o artista usufrui como nunca do direito…