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Perceber-se

A distração indica a incapacidade de lidar com o contexto e a dificuldade de se manter vigilante. Vigiar pode parecer sinônimo de policiar gestos, pensamentos, cortando aqueles que não estejam voltados para a nossa leitura da questão. Aliás, o verbo vigiar desperta em nós certa repulsa por lembrar-nos instintivamente de que se algo está sendo objeto de cuidados, não se está no livre exercício de sua vontade e, portanto, sendo manipulado, cerceado e condicionado a uma situação da qual não conseguimos nos livrar. Ledo engano. A vigilância consciente sobre o nosso intelecto é o nosso reduto íntimo de liberdade, pois só ali chegamos a um nível quase imune de não-interferência externa. Perceber-se é um fenômeno inerente a quem mantém profunda sintonia com o seu eu interior e simbiose com o universo onde se insere. Sem fazer a troca intermitente com o meio ambiente, podemos focar ora em um, ora em outro e com isso não perceber as nuances sutis que fazem com que uma situação se transmute em...

Ritmo

Sentir vontade de ficar sozinho não significa falta de amor pelos entes queridos, síndrome do pânico ou personalidade antissocial. Precisamos nos isolar de vez em quando para curtir a nós mesmos. Dar uma de narciso esporadicamente faz bem. Existem pequenos rituais que são prazerosos somente na solitude, na frente dos outros jamais. Mesmo a presença de alguém muito próximo, inibe. Com o companheiro e os filhos é pior. A proximidade dificulta. Quanto mais íntimos somos de alguém, mais precisamos de uma reserva que seja só nossa. É difícil suportar a invasão de privacidade, a delegação implícita a outrem para gerir nosso tempo e por tabela inibir a nossa vontade de agir por conta própria, ser dono de si e livre. Se nos calamos, consentimos, diz o bordão. Não se trata de prescindir das pessoas, mas precisamos nos alimentar para ter o que doar. Recompondo-nos internamente tornamo-nos mais capazes de ceder, sem que nos sintamos usurpados. Sermos roubados nos frustra e deixarmo-nos governar...

Azar

Era visível a exasperação daquele senhor diante do caixa eletrônico. Suas mãos tremiam ao tentar pagar um boleto bancário, cujo código de barras a máquina insistia em não ler. Ao lado da máquina havia uma pilha de papéis, extratos, documentos que ele aparentemente não conseguia processar. - Precisa de ajuda, Senhor? – Indaga a funcionária. -Ah, preciso sim. Você trabalha aqui? Eu não entendo nada destas coisas. Vocês complicam demais. Porque eu não posso ir até o caixa e lá ele faz tudo para mim? Eu deixo o meu dinheiro aqui, não deixo? - Mas aqui é bem mais fácil e rápido. Eu oriento o Senhor - Atalha a atendente sorrindo. - Eu não quero aprender nada. Não preciso disso nessa altura da vida. Eu pago, logo quero ser bem atendido. Quero um funcionário que me dê isto tudo pronto. Será que é pedir demais? - Claro que não senhor. Vou processando aqui e o senhor me acompanha. - Você faz tudo aqui para mim nesta máquina. E quando eu precisar de novo? Você está sempre por aqui? - Semp...

Piloto Automático

Quando externamos uma opinião que nos veio à tona e não temos na ponta da língua um arsenal lógico para explicar como chegamos àquela conclusão, ficamos numa encruzilhada se atribuirmos à intuição, apenas. Não há tempo para pesquisar no arquivo morto da memória e instantaneamente produzir uma resposta capaz de satisfazer o interlocutor. Só sabemos que ela existe e está lá, enclausurada no nosso cérebro, mas não temos como traduzir e transmitir a outrem. Não convence ninguém, mas não deixa de ser uma conclusão intelectual. Admitir comunicação com os bastidores da mente presume desligamento das questões externas. O ser humano tem um piloto automático ligado o tempo inteiro. De tanto repetir certos procedimentos, nem pensamos para agir. É a face boa da intuição, protegendo-nos de situações perigosas; linha direta com o conteúdo inconsciente que vasculha o conhecimento acumulado, racional, embora não passe pela análise, indo direto à síntese. Por outro lado, quando descamba para os temore...

A arte de escrever Sonetos

Texto de Paola Rhoden, publicado no site Autores.com em 05 de novembro de 2009 Em primeiro lugar, não se ensina um poeta a escrever. Ele tira da alma o que sua mão escreve. Porém, a tarefa de escrever um soneto, uma obra considerada pelos intelectuais de símbolo da poesia, não é fácil. Não é fácil porque aqueles que cultuam essa técnica, não arredam pé de que é essencial para um soneto seguir as regras. Mas, para quem gosta e quer seguir por esta árdua estrada, abaixo seguem algumas delas: Um soneto é uma obra curta que transmite uma idéia completa. Para se escrever um soneto perfeito, ou clássico, como é chamado pelos profissionais de literatura, deve seguir as regras mundialmente utilizadas, que são: métrica, ritmo e rima. Um soneto clássico é formado por quatorze (14) versos decassílabos, dispostos em quatro estrofes, da seguinte maneira: a) dois quartetos ( ou quadras ); b) dois tercetos ( ou terças); c) a métrica deve seguir as normas. Cada um dos 14 versos deve ser decassíla...

Mulher, Ser Humano Plural

Quando nos seguram os obstáculos Que o nosso imaginário nos impõe No fundo damos guarida Ao sentimento que nos afasta Da intimidade com a mãe natureza. Relação tão estreita Com o todo que hoje somos Tem algo de tempos idos De herança das ancestrais. Permanece este querer De ser sujeito na construção De um mundo melhor. Se outrora fomos guerreiras Hoje buscamos paz Continuamos transpondo barreiras E há campo para nós. Somos guardiãs da vida Precisamos ser atuantes Lado a lado, do nosso jeito No nosso ritmo, na nossa visão Porque do espaço que nos cabe Não podemos abrir mão.

Poetrix ou Haicai?

TÍTULO: O haikai não admite título. No Poetrix ele é obrigatório e, na maioria das vezes, complementa o texto. MÉTRICA: No haikai - 5-7-5 sílabas. No poetrix, máximo de 30 sílabas poéticas. FIGURAS DE LINGUAGEM: O haikai não admite. No poetrix, metáforas e neologismos são bem-vindos. AUTOR: No haikai, o autor não influi no fato observado. Já no poetrix, ele interage com o fato e, mesmo, com o leitor, através de mensagens subliminares. CONCISÃO: O haikai é descritivo. Já o poetrix é minimalista; busca a síntese. Dizer muito com poucas palavras. TEMPO: No haikai: presente. No poetrix: passado, presente e futuro, como uma só dimensão. ESPAÇO: No haikai, a cena é rural, sobre a natureza; estações do ano, flores, frutos, animais, tempo, clima, etc. É como um flash fotográfico onde o autor apresenta a inspiração que captou ao observar a cena. No poetrix, admite-se todos os espaços, mais especificamente o urbano, e o autor pode falar de si, aparecer, interferir, expor os...

A métrica no poema e como metrificar os versos de um poema.

Texto publicado no site Autores.com.br em 25 de Novembro de 2009 Literatura - Dicas para novos autores Autor: PauloLeandroValoto "Alguns colegas me abordam querendo saber como faço para escrever e metrificar os versos de alguns de meus poemas. Diante desta solicitação de alguns colegas aqui do site, venho explicar qual a técnica em que utilizo para escrever poemas com versos metrificados. Muitos me abordam querendo saber: - Como faço? - Como é isso? - O que é métrica? - Como metrifico os versos de meus poemas? - Quero fazer um tambem. - Me explique como fazer. Vou descrever então de uma forma simples e objetiva a técnica que utilizo para escrever poemas metrificados. Primeiro vamos falar de métrica e depois vamos falar de como metrificar os versos de um poema. - A métrica no poema: Métrica é a medida do verso. Metrificação é o estudo da medida de cada verso. É a contagem das sílabas poéticas e as suas sonoridades onde as vogais, sem acentos tônicos, se unem uma com as outras fo...

VOLTA ÀS AULAS-Reflexões sobre o ato de ler

Somos estimulados a todo instante por cores, sons, cheiros, sabores, texturas, combinações infinitas que vão da quietude ao turbilhão. Nem todos são importantes para nós, mas não escapamos de interpretar essa overdose de situações que fazem parte do cotidiano num mundo de múltiplas mídias. Seria muito estranho receber essas sensações sem decodificá-las. Se nos espantamos demais, ficamos em estado de alerta. Precisamos do “como, onde e porque”, o que denota termos a tarefa de escolher sempre, mesmo que de maneira inconsciente. Algo se movimentando nos atrai mais que aquilo que está parado. Com isso realçamos um tipo de informação e podemos ver com maior nitidez o que é contrastante e atribuir-lhe um significado. Mas só podemos identificar sinais de perigo ou oportunidade ao se os traduzirmos. A interpretação faz com que escolhamos uma opção dentro de um grande número de opções possíveis. Ao focar, fazemos associações e transformamos em símbolos. Nossa casa é para nós, sinônimo de segur...

Haicai 3

Flores de metal Dominam a paisagem Éolo energiza

Ivete Sangalo, a baiana de "Hamelin"

Ao todo, participamos de quatro edições do Planeta Atlântida(O festival de música que acontece todo fevereiro na praia de Atlântida, litoral norte do Rio Grande do Sul), como acompanhante dos adolescentes da família. Se dependesse deles não iríamos junto. Poderíamos curtir a sonzeira pela MTV, no conforto do lar. Optamos por agüentar firme, sem reclamar da chuva, do calor, do excesso de decibéis; ao que os nossos quase-adultos saltavam com a resposta pronta e a cara mais inocente do mundo: “Não precisa se sacrificar. Basta levar e buscar a gente”. Ou então, “alugamos uma van, que é melhor ainda. Estás indo sem vontade mesmo. Fica em casa que é mais tranqüilo”. Argumento redondo, mas que não nos convenceu. Ainda não era hora de deixá-los sozinhos num festival que dura a noite inteira, mesmo que o evento seja considerado seguro. Já o evento de 2008 selou o rito de passagem e foi o que nos assustou mais. Dessa vez não tivemos companhia adulta para acompanhar a galera como nos anos anter...

Sementes

Só nós conhecemos nossa funcionalidade. Se não admitimos a existência de outras formas de enxergar que não a nossa, sempre bateremos de frente com quem interpretar a vida, ter atitudes diferentes daquelas que entendemos corretas. Quem não sabe, esforça-se para entender se tiver um mínimo de bom senso, se der valor a quem está tendo determinado posicionamento que julga incorreto. Não é só uma maneira toda própria de se expressar. É também uma forma de não se importar com o outro. Alegações como: “você não deveria se melindrar com a maneira que eu falo, é só um modo de dizer, não tem a intenção de ofender”. Intenção nem sempre se traduz em palavras. A linguagem corporal é um componente poderoso que não pode ser dissociada do conteúdo das falas. A boca pode estar dizendo uma coisa e o corpo expressando outra. Foge ao nosso controle a entonação específica que diferencia sentimentos de raiva, revolta, tristeza, indignação. Também é impossível não perceber quando uma revelação dura, q...

Trato

Então fica assim. Está combinado. Está tudo combinado, plagiando aquele rap. Para 2010 não vale tristeza, não adianta desesperança. Só conta cada sorriso, verdadeiro, feito criança. Marca ponto ser autêntico, ou pelo menos tentar sê-lo. Rende ao relacionamento, um mero afago no cabelo, daquele que a gente ama, do que é companheiro. E se der aquela vontade de cantar no banheiro, e que por um momento, sejamos estrelas no chuveiro. Não. Não quero sorriso forçado, quero algo natural. Não quero camuflar a boca e olhar fugir sorrateiro, denunciando-me a angústia, instalando-se por inteiro. Que a brisa seja sentida e não apenas vislumbrada. Que a contemplação seja engolindo o ar puro pelas narinas e quando menos se esperar, impregnar na retina, aquele cheiro de mar. E não se possa fazer nada que não integrar-se ao todo, deixar vir aos borbotões a energia que emana da divindade, presente em cada um de nós. Não, eu não ...

Um lugar para conhecer antes de morrer

Um frio de 10 graus positivos nos recebeu em Bogotá. Para Marluce e eu, oriundas do calor amazônico, o ventinho acolhedor era de gelar os ossos. Ceci, nossa anfitriã, era dona do El Goce Pagano, uma casa noturna de música caribenha. Um mojito preparado por ela pôs fim à tremedeira e nos deu as boas vindas. A época da viagem era explosiva. Literalmente. Os guerrilheiros do M-19 haviam invadido e incendiado o Palácio da Justiça. No episódio, morreram quase todos os integrantes da Suprema Corte de Justiça do País. No dia anterior à nossa chegada havia explodido o vulcão de Armero, há pouco mais de cem quilômetros da capital. O medo não impediu que perambulássemos pela cidade e conhecêssemos as choperias, usufruíssemos dos belíssimos concertos na Universidad Nacional, da mostra de cinema cubano em pleno isolamento, inclusive cultural da ilha de Fidel. Por toda parte, capacetes sobre os telhados indicavam a presença de franco-atiradores e a Ceci não largava do nosso pé. A delicada sit...

Não é preciso

Tem certas coisas que até podem acontecer, mas não é preciso que passemos por elas ou que as suportemos. Não é preciso ir de carro até a praia se você está há dois quilômetros dela e pode muito bem aproveitar para caminhar mais este trecho e assim obter melhor condicionamento físico. Afinal, caminhar faz bem em qualquer sentido seja ele estético ou de saúde. Mas podemos usufruir igualmente dos benefícios da caminhada extraindo dela o que ela puder lhe oferecer de melhor. E o melhor pode ser deixar para caminhar na beira da praia que é mais prazeroso e saudável, longe do vaivém dos carros e suas descargas. Nós já enfrentamos stress e buzina o ano inteiro e se pudermos ter a areia do mar, porque se contentar com o cimento? Não há necessidade de sentir dor física. Sabemos que ela é o sinal de alerta do organismo, que precisamos dar-lhe a atenção necessária para que a doença não se alastre. Se não sentíssemos dor, nosso corpo se deterioraria sem que percebêssemos e não haveria como ev...

Mau Humor Matinal

Tem dias que achamos que estamos fazendo mais pelos outros do que aquilo que julgamos que eles sejam capazes de merecer. Parece que a nossa cota de gentileza esgotou-se e aqueles que nos rodeiam estão em débito conosco. Há dias em que acordamos com a cara feia e que temos de concordar que o nosso bom dia sai meio azedo. Não é um bom dia de boca escancarada, acompanhado de um sorriso que vem de dentro. É um balbucio, que preferiríamos até não esboçar, mas que a cortesia do dia a dia nos impõe. O mínimo que esperamos é que o outro enxergue o nosso mau humor matinal, respeite-nos e fique quieto também. Embora nos levantemos às sete da manhã, nosso corpo só vai dar por conta que já está de pé lá pelas dez horas. Aí sim é que vamos entrar no ar como se a inércia sumisse repentinamente e nos invadisse a vontade de cantarolar: “...deixa vida me levar, vida leva eu...” Ô Zeca Pagodinho filósofo que só. O rádio a estas alturas já está ligado ou o fone de ouvido e então abrimos o melhor sorr...

A medida da vaidade

A vaidade é um dos elos indesejáveis na corrente do bem. Para que as pessoas sejam estimuladas a engajar-se numa boa ação é preciso que elas saibam que esse modelo existe para que possam empenhar seu tempo e esforço agregando valor a essa cadeia possibilitando que o bem se expanda. Mas o pecado está na vaidade. Ao se expor, mesmo que com a melhor das intenções estamos dizendo ao mundo que somos bonzinhos, que fazemos isso e aquilo e cá prá nós, traz uma satisfação ímpar ao nosso íntimo. Esta fogueira de estímulos se propaga ao ponto de inviabilizar ações benéficas se duradouras, pois o que era para ser um trabalho altruísta acaba se tornando uma guerra de egos. Todos gostamos do aplauso, faz parte da nossa natureza de ser social estar buscar sinais de aprovação onde quer que eles estejam, mesmo que sutis e que o nosso íntimo possa exultar e sentir: "alguém me viu". Vaidade misturada com poder, a dupla que anda sempre junta na demarcação do espaço que julgamos ter direit...

Além das Aparências

Gente de caráter não se liga com quem emite baixas vibrações. Parece coisa de místico, mas pode traduzir por antipatia simultânea. “Não fui com a cara dele(a)”. Ou sentimentos bem mais terrenos como “não fecha comigo e pronto. Não vou perder meu tempo”. Pode parecer prepotência, mas todos nós temos o direito de escolher com quem queremos nos relacionar, a menos que as circunstâncias nos obriguem. Nestes casos, apenas suportamos, com um esforço enorme da nossa parte, porque implica se violentar. A zona de atrito é maior quando estão em jogo não somente situações corriqueiras, mas quando por trás da aparente singeleza delas escondem-se caráter e valores incompatíveis com os nossos. A sensação é de desamparo. “Porque é que eu tenho de passar por isto?. O que eu fiz para merecer este castigo?” A capa de civilidade às vezes ofusca as verdadeiras intenções. Com os broncos é mais fácil. A gente já sabe o que se espera deles. Eles já vão estourando, quebrando os pratos logo de cara. Mas ...

Primeira impressão

Ironicamente alguém comentou que ela era uma pessoa “espaçosa”. Queria dizer onde quer que fosse ocupava todos os lugares, inundava a todos com a sua presença. Uma pororoca visual e falante que não deixava ninguém incólume após sua passagem? Ou alguém do tipo “arrasa quarteirão?”. A semântica pode ser diferente e o sentido era o mesmo. Pessoas deste tipo fazem as coisas acontecerem. Incomodam, deixam todos irrequietos na cadeira e por detrás do sorriso, enxergamos ameaças. E elas dizem a que vieram, deixando-nos perplexos sem saber se são ingênuas demais; ou então se são boas estrategistas que largam de chegada a capa da autenticidade, mas não se afastam um milímetro sequer daquilo a que se propuseram. Provocam antipatia ao primeiro contato e deixam todos com o pé atrás. É muito bom quando há uma reversão de expectativas em relação a pessoas com quem inicialmente havíamos nos antipatizado. Neste caso a inversão de posicionamentos é positiva e refere-se à síndrome da primeira impres...

Gota D'água

“Deixe em paz meu coração, que ele é um pote até aqui de mágoa. Que qualquer desatenção, faça não. Pode ser a gota dágua...Pode ser a gota dágua...”A repetição da última frase da música do Chico Buarque fica ecoando em nossos ouvidos. “pode ser a gota d`água...Pode ser a gota d`água...” Vá ser sensível assim mais longe, o Chico. Para perceber com tanta sutileza as nuances da alma feminina... Só pode ser mulher. Ou então travestir-se em sentimentos tipicamente femininos ou que assim transparecem ser. Talvez por isso aquele par de olhos verdes fique grudado na retina das mulheres cinquentinhas, um pouco mais, um pouco menos, anos a fio. Mostrando em canções os matizes dos inevitáveis sofrimentos da existência, como diz um amigo nosso. Estamos resvalando aqui para o preconceito, ao intitular de feminina a prerrogativa da sensibilidade, mas é de caso pensado. O sentimento é intraduzível na maioria das vezes, por mais que nos esforcemos em transmitir aos parceiros, companheiros, a ponta ...