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Mostrando postagens de Março, 2012

Secura - Conto finalista do Sétimo Prêmio Maximiano Campos de Literatura - Antologia da Editora Carpe Diem - Recife-PE - www.editoracarpediem.com.br

Sentada na carroceria do caminhão que a levaria à cidade, Ana findara a acomodação das tralhas, do embornal com galinha e jerimuns, enquanto Izabel, no outro braço, fuçava-lhe a teta ressequida; mais por achego que por leite. Dali, não saía nem uma gota. Tirou da trouxa um tiquinho de rapadura, amoleceu na língua, sentiu o gosto da doçura. Enfiou os dedos na boca, lambuzando-os no doce. Depois, melecou o bico do peito e o pôs entre os lábios da menina, que sugou com gosto.
Era época de chuva. Ana espichou o olhar pelo verde, parecido com sua rocinha. Feijão de corda, jerimum em ponto de comer, milho embonecando, um pouco de tudo, com destino certo: ela, três meninos, mais Izabel. Grudada no peito, a caçula tinha os olhos fixos na mãe. Ana sorriu. Uma menina, depois de anos sem filho. O marido voltou do garimpo, emprenhou-a e sumiu de novo.
Os moleques se fartavam, trepados nas grimpas; depois desciam de beiço rachado pelo sumo de manga deves. Ela suspirou. Fora-se o aperreio do feijão r…