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Mostrando postagens de Junho, 2009

Domínio

A luta permanente do vice-presidente brasileiro contra o câncer que o acompanha há anos é motivo de admiração pela maioria de nós. Por mais que sua visão da doença seja irrealisticamente positiva aos nossos olhos é contagiante e digna de aplausos a maneira insistente como ele enfrenta a moléstia, situação em que muitos já teriam entregado os pontos. Mas não. Paralelo à sua obstinação em lutar, nós que o acompanhamos pela mídia, insistimos em procurar naquele sorriso permanente dele, um ar de representação. É inevitável especular sobre qual papel ele está desempenhando, se é para nós ou para ele próprio buscar forças e assim dominar o inimigo instalado em seu corpo. Domínio, esta parece ser a palavra. A doença já o acompanha há doze anos e ele aparenta desdenhar dela. Como quem ignora um espinho no pé e segue caminhando. De vez em quando pára, faz um curativo, ajeita a pisada, mas nem por isso deixa de seguir em frente. A vida continua, apesar da doença. Não fosse um quê de malignidade

Decisão

De cisão. parir ou não? é hora do troco, do sufoco. do roxo. do arrocho. de mudar ou ficar? de sair de ir é um muxoxo. ainda assim, chocho. a vida ruim, órfã de perspectivas. até meu jardim, é só expectativa. coisa egoista! para que plantar, a terra revolvida, se o pé está na porta, quando se está de saída?

Ovelha

Preciso arranjar um jeito, se não perfeito, quase. preciso pôr os demônios para fora Senão eles me consomem Agora. Preciso subir à tona de imediato. Senão vou à lona, Nocaute de direita e de fato. Quero luz e palco aplausos. a ribalta me atrai preciso provar a mim mesma mundo afora, que não sou essa mediocridade que sempre aflora sufoco-a, empurro-a, Sou estrela, que me importa! se as evidências me contradizem impiedosas se a minha cara é comum, como milhares de outras se eu sou comum, como qualquer outra. Os outros não precisam concordar comigo. eu me basto. estou só. pasto.

Amiga

Há dias ensaio Um telefonema Não deu. Dou-te Um poema Pretenso verso De rima nua. Com os fantasmas Tergiverso, Brinco de cabra-cega. Contigo derramo Sem pedir licença As dores, as mesuras, As amarguras. Teço, desenrolo, Teias infindas, Idéias desencontradas Que se realizam Nos meus sonhos. Pergunto-te cara, Continuarás a ouvi-los Na caminhada?

Gurus

Gurus estão na moda no universo profissional, mesmo que o adepto esteja bem no trabalho, mas sente que precisa de algo mais para crescer que não consegue achar em si próprio. É a senha para que entre em cena o guru. E não é só aquele que ministra palestras motivacionais, mas o que está ali do lado, no ambiente de serviço mesmo. É que no fundo, precisamos de referências para saber por onde seguir e buscamos isso nos outros. Às vezes nem conhecemos pessoalmente alguém, mas gostamos dessa ou daquela característica dela. Podemos discordar em alguns pontos ou mesmo acreditar em tudo que diz, mas é quem nos passa a sensação de “um dia quero ser tão bom(boa) quanto ele(a)”...Pronto, criamos o guru, que pode ser para o campo pessoal, profissional ou religioso. Alcançando o que pretendemos com determinado modelo, temos a sensação de estar no caminho certo. Todavia, corremos o risco de iniciar o círculo vicioso de mal superarmos um mestre, já nos submetermos a outro. Deixamo-nos convencer por i

Rotina

Manter o equilíbrio não é fácil. Exige vigilância. Como na canção do Osvaldo Montenegro – Quem se lembra dele? – “Cuidar de amor exige maestria. E Léo e Bia souberam amar...” A estabilidade não é nossa característica. A mudança é como ser diferente a cada instante, premido pelas circunstâncias e ainda assim, manter o todo íntegro. Cremos que só é possível percebendo o que é importante, o que é imutável para nós. Cedendo no que não nos violenta, talvez. Mas se de pedaço em pedaço desfizermos o núcleo, o todo? É fácil ser instável. Ficamos todos de sobreaviso. “Não fala nada com àquele(a) lá, porque ele(a) te larga as patas sem a menor cerimônia”. É muito cômodo fazer só o que se quer. “Eu sou assim e pronto. Quem quiser que me aceite!” E os outros que se virem em adaptar-se à figura. Até que alguém se canse e afaste-se da criatura. Ou então, o que é pior, comece a retaliá-lo(a) e que quando menos perceber, o chão já fugiu dos pés e é o(a) último(a) a saber. Qualquer dia nosso, por mais