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Inverno

O que é límpido
o que é cristalino
torna-se opaco,
enrijece-se.
O maleável
endurece.
O que escorre
pode-se pegar,
manipular.
Não se consegue
por muito tempo
segurar.
Queima e pele
repele o contato
pavorosamente,
pede-se
aos ossos,
aos músculos,
à consciência,
não gele!
Com um estalido
um desentortar
um gemido
seduz.
O viver se aquece
Na quietude
do inverno
adormece-se
à espera do fogo,
à espera da luz.
Chuva, seja mansa.
Tudo hiberna
no escorrer das eras.
Mas há quem diga,
que excetua-se
a esperança,
da eterna
primavera.

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