Pular para o conteúdo principal

Aparência

No impulso não nos importaríamos de sair com a tinta no cabelo e ir comprar aquelas balas de coco que desmancham na boca de tão macias. Se não nos importamos é porque a vontade de comer as balas é mais importante que o cabelo lambuzado. Por outro lado, não temos direito de impor aos outros a nossa feiúra e esquisitice de comportamento. Imagine o pandemônio que seria se nos déssemos ao luxo de dar vazão a todos os nossos impulsos.

O mundo possui espelhos e não tem como passar na frente de um deles sem nos olharmos. Se pudéssemos, pintaríamos os cabelos só na frente, já que atrás nós não enxergamos que eles estão ficando brancos e, portanto, não precisamos nos preocupar.

Só nos damos conta das nossas imperfeições, dos “defeitos de fabricação”, quando estamos de cara com eles ou quando alguém nos avisa. Não gostamos que ninguém apontando-nos o dedo. É preciso ser muito íntimo para que aceitemos racionalmente uma observação dessa natureza. E ainda assim, dói mais. Porque a opinião mais importante para nós é a de quem nós queremos bem. Dos outros é fácil ignorar, se a autoestima não estiver muito em baixa.

Duvidamos que seja só coisa de mulher. Talvez verbalizemos mais o nosso eterno inconformismo com a aparência. Os homens tradicionalmente se fecham em copas e dizem que não estão nem aí. Ponto para eles. O primeiro a ser convencido é a gente mesmo. Mas os rapazes estão avançando rumo aos redutos ditos femininos de vaidade, apuro nas roupas, implante de cabelos, freqüência às academias, enfim.

Não é reprovável querer ser belo. O que não dá é deixar a questão estética infernizar a nossa vida e nos privarmos de outra ginástica imprescindível: A do cérebro.

Almejar uma boa aparência, se cuidar, também é sinal de deferência com quem vai conviver conosco todos os dias, no trabalho, em casa, na rua. Isto não significa atrelarmo-nos e não nos permitir certos prazeres, como o prosaico ato de comprar balas. Ah, mas sem a tinta no cabelo, claro.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A métrica no poema e como metrificar os versos de um poema.

Texto publicado no site Autores.com.br em 25 de Novembro de 2009 Literatura - Dicas para novos autores Autor: PauloLeandroValoto "Alguns colegas me abordam querendo saber como faço para escrever e metrificar os versos de alguns de meus poemas. Diante desta solicitação de alguns colegas aqui do site, venho explicar qual a técnica em que utilizo para escrever poemas com versos metrificados. Muitos me abordam querendo saber: - Como faço? - Como é isso? - O que é métrica? - Como metrifico os versos de meus poemas? - Quero fazer um tambem. - Me explique como fazer. Vou descrever então de uma forma simples e objetiva a técnica que utilizo para escrever poemas metrificados. Primeiro vamos falar de métrica e depois vamos falar de como metrificar os versos de um poema. - A métrica no poema: Métrica é a medida do verso. Metrificação é o estudo da medida de cada verso. É a contagem das sílabas poéticas e as suas sonoridades onde as vogais, sem acentos tônicos, se unem uma com as outras fo

A arte de escrever Sonetos

Texto de Paola Rhoden, publicado no site Autores.com em 05 de novembro de 2009 Em primeiro lugar, não se ensina um poeta a escrever. Ele tira da alma o que sua mão escreve. Porém, a tarefa de escrever um soneto, uma obra considerada pelos intelectuais de símbolo da poesia, não é fácil. Não é fácil porque aqueles que cultuam essa técnica, não arredam pé de que é essencial para um soneto seguir as regras. Mas, para quem gosta e quer seguir por esta árdua estrada, abaixo seguem algumas delas: Um soneto é uma obra curta que transmite uma idéia completa. Para se escrever um soneto perfeito, ou clássico, como é chamado pelos profissionais de literatura, deve seguir as regras mundialmente utilizadas, que são: métrica, ritmo e rima. Um soneto clássico é formado por quatorze (14) versos decassílabos, dispostos em quatro estrofes, da seguinte maneira: a) dois quartetos ( ou quadras ); b) dois tercetos ( ou terças); c) a métrica deve seguir as normas. Cada um dos 14 versos deve ser decassíla

Jogo de Palavras

Dizer que foi o receptor da comunicação quem se equivocou é uma atitude cômoda para o emissor, porém arriscada, já que a conversa pode se encerrar por ali. Quando lançamos mão do tradicional “você é que não me entendeu”, estamos transferindo para o outro a responsabilidade pelo equívoco que nós mesmos provocamos. Na prática, a nossa atitude em si é arrogante, pois não admite a possibilidade de erro e ainda por cima se exime das conseqüências, como se fôssemos donos da verdade e só a nossa versão é que contasse. Seria muito mais humilde e receptivo trocar a mensagem por “eu não me fiz entender”. Acalma o interlocutor e de quebra nos dá fôlego para uma segunda chance. Ocorre que na maioria das vezes nos utilizamos dessa tática com a melhor das intenções e com o honesto propósito de esclarecer a idéia que queríamos transmitir. Como a resposta vem de imediato à nossa mente, estamos convictos que esta forma de se expressar é correta e tanto cremos nisso que a reação é automática e não en