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Agosto



Luz, quanta luz!
Se eras tanta
Porque fugiste
Deixando-me só?
A essência não inspiro
Ressecam-me,
Fazem-me fenecer,
Só a noite escura,
A chuva gelada
A garganta ressequida.
Há poucos resquícios
Há pouca vida
Para ser vivida.
Quero um crédito,
Uma cota a mais
Porque este ano?
Por quê me desengano?
Será que é profano
Implorar ao infinito
Que me deixe ficar?
Eu peço, contrito,
Mais tempo...
Há tanto
Que quero fazer.
Há trilhas a percorrer
Preciso do sol,
De novo no rosto
Preciso passar
De novo,
Por este agosto
Aí, com certeza,
Terei em seguida
Onze meses adiante
De mais vida
Inexorável.
Até que o novo agosto
Volte...
Implacável

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