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Paradoxo

Alma minha,
Essência que me anima
Estás tão gelada,
Quanto a geada que me cerca?
Será, maninha
Que queres que eu me perca
Em tantas madrugadas
Que povoam minha existência
Gelada?
Como podes estar gélida,
Se eu aqui estou?
És tu que me soltas,
Que acende em mim a faísca
Que faz com que eu siga à risca,
O que o destino me traçou.
Mas que destino é este,
Que mais parece peste,
Com este caos que se abate,
Às vezes sobre mim?
Que me faz ter mil anos,
Cometer tantos enganos?
Resta ser caldo ainda,
Cultura em início de vida
Borbulhando desencontradas,
Alma por ser nascida
Na negritude do começo,
Mas que, ao primeiro tropeço,
Vislumbra a caminhada,
Que aparece de repente,
Uma eternidade inteirinha,
Que se tem pela frente.

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