Pular para o conteúdo principal

Além das Aparências



Gente de caráter não se liga com quem emite baixas vibrações. Parece coisa de místico, mas pode traduzir por antipatia simultânea. “Não fui com a cara dele(a)”. Ou sentimentos bem mais terrenos como “não fecha comigo e pronto. Não vou perder meu tempo”.

Pode parecer prepotência, mas todos nós temos o direito de escolher com quem queremos nos relacionar, a menos que as circunstâncias nos obriguem. Nestes casos, apenas suportamos, com um esforço enorme da nossa parte, porque implica se violentar. A zona de atrito é maior quando estão em jogo não somente situações corriqueiras, mas quando por trás da aparente singeleza delas escondem-se caráter e valores incompatíveis com os nossos. A sensação é de desamparo. “Porque é que eu tenho de passar por isto?. O que eu fiz para merecer este castigo?”

A capa de civilidade às vezes ofusca as verdadeiras intenções. Com os broncos é mais fácil. A gente já sabe o que se espera deles. Eles já vão estourando, quebrando os pratos logo de cara. Mas quando a coisa não é nítida, não é mensurável e aparentemente não se tem justificativa lógica, aí é que mora o perigo. A delicadeza no tratamento, adotada para mascarar os verdadeiros propósitos, confunde os incautos. Mas sempre acende uma luzinha lá dentro que a gente não sabe o que é, mas sente que algo está errado. E ela fica piscando, emitindo sinais de alerta como uma onda de calor captada por um equipamento ultra-sensível, mas penosa de se alcançar.

Tudo o que não é aparente é complexo provar. Ficamos com o sentimento de sermos os únicos a enxergar um demônio por trás daquela capa de sedução. Tem que ter muita precisão para perceber que aquele(a) que gosta de “tirar casca de ferida”. Não há antídoto, já que a ausência de escrúpulos demonstra tratar-se de pessoas determinadas, que sabem muito bem o que querem.

Se a convivência não nos é tão dolorosa assim ou se precisamos mantê-la sob pena de outras perdas que nos causariam igual ou maior sofrimento, vale uma partida de xadrez. A gente pode até jogar, mas fica cuidando dos movimentos do outro para poder ver o lance ideal. Só não vale executar jogadas previsíveis, porque aí é xeque-mate na certa. Se a opção for não encarar o relacionamento, uma dica vem do Dalai Lama “Se você achar a pessoa tão desagradável, que seja impossível agüentá-la, talvez seja melhor sair correndo”.
 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A métrica no poema e como metrificar os versos de um poema.

Texto publicado no site Autores.com.br em 25 de Novembro de 2009 Literatura - Dicas para novos autores Autor: PauloLeandroValoto "Alguns colegas me abordam querendo saber como faço para escrever e metrificar os versos de alguns de meus poemas. Diante desta solicitação de alguns colegas aqui do site, venho explicar qual a técnica em que utilizo para escrever poemas com versos metrificados. Muitos me abordam querendo saber: - Como faço? - Como é isso? - O que é métrica? - Como metrifico os versos de meus poemas? - Quero fazer um tambem. - Me explique como fazer. Vou descrever então de uma forma simples e objetiva a técnica que utilizo para escrever poemas metrificados. Primeiro vamos falar de métrica e depois vamos falar de como metrificar os versos de um poema. - A métrica no poema: Métrica é a medida do verso. Metrificação é o estudo da medida de cada verso. É a contagem das sílabas poéticas e as suas sonoridades onde as vogais, sem acentos tônicos, se unem uma com as outras fo

A arte de escrever Sonetos

Texto de Paola Rhoden, publicado no site Autores.com em 05 de novembro de 2009 Em primeiro lugar, não se ensina um poeta a escrever. Ele tira da alma o que sua mão escreve. Porém, a tarefa de escrever um soneto, uma obra considerada pelos intelectuais de símbolo da poesia, não é fácil. Não é fácil porque aqueles que cultuam essa técnica, não arredam pé de que é essencial para um soneto seguir as regras. Mas, para quem gosta e quer seguir por esta árdua estrada, abaixo seguem algumas delas: Um soneto é uma obra curta que transmite uma idéia completa. Para se escrever um soneto perfeito, ou clássico, como é chamado pelos profissionais de literatura, deve seguir as regras mundialmente utilizadas, que são: métrica, ritmo e rima. Um soneto clássico é formado por quatorze (14) versos decassílabos, dispostos em quatro estrofes, da seguinte maneira: a) dois quartetos ( ou quadras ); b) dois tercetos ( ou terças); c) a métrica deve seguir as normas. Cada um dos 14 versos deve ser decassíla

Jogo de Palavras

Dizer que foi o receptor da comunicação quem se equivocou é uma atitude cômoda para o emissor, porém arriscada, já que a conversa pode se encerrar por ali. Quando lançamos mão do tradicional “você é que não me entendeu”, estamos transferindo para o outro a responsabilidade pelo equívoco que nós mesmos provocamos. Na prática, a nossa atitude em si é arrogante, pois não admite a possibilidade de erro e ainda por cima se exime das conseqüências, como se fôssemos donos da verdade e só a nossa versão é que contasse. Seria muito mais humilde e receptivo trocar a mensagem por “eu não me fiz entender”. Acalma o interlocutor e de quebra nos dá fôlego para uma segunda chance. Ocorre que na maioria das vezes nos utilizamos dessa tática com a melhor das intenções e com o honesto propósito de esclarecer a idéia que queríamos transmitir. Como a resposta vem de imediato à nossa mente, estamos convictos que esta forma de se expressar é correta e tanto cremos nisso que a reação é automática e não en