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Injustiça em Dobro

Quer testar se alguém é um verdadeiro profissional na arte de persuadir? Dê-lhe um mesmo fato e lhe peça duas versões. A pessoa imergirá totalmente no personagem que eleger primeiro para enxergar daquele ponto de vista específico, alheando tudo o que não corroborar para a sua defesa. Procurará encontrar argumentos que os armazenará em seu íntimo, de forma que quando afirmar categoricamente, todo o seu ser esteja imbuído dessa certeza e o interlocutor titubeará em duvidar, tamanha a aura de veracidade que lhe é impingida. O expectador é seduzido pelo profissional da interpretação, pois ao fundamentar seu desempenho num arcabouço de conhecimentos acumulados, apropriou-se de conceitos que estão no inconsciente coletivo e a eles acrescentou um toque de criatividade, que é justamente sua contribuição imperceptível para a verdade que quer consolidar. Abstraindo-se totalmente de qualquer devaneio que não seja o do convencimento, ignora a face que não é a defendida na ocasião e cria a ilusão ...

O Prazer da Ausência de Dor

Embora a uniformidade aparente do ser humano, cada trajetória é única. Ao corpo que a genética nos deu, são acrescidos nome, sobrenome e uma vida de interação com o meio ambiente, que a partir do nascimento nos cabe administrar. No começo, com alguma ajuda, mas chega o momento em que seremos nós os responsáveis pelas alterações incutidas em nosso corpo e mente. Diferentemente dos animais, o homem possui natureza composta de razão e desejo, este último, se desprende das sensações provocadas pelos sentidos clássicos de visão, audição, olfato, gosto e tato. Um arsenal de sentidos que são as nossas primeiras determinações físicas, reflexo das eternas leis da natureza, onde cada ser procura o seu prazer e foge do desprazer . Somatório de processos assimilados de longo tempo, o instinto se forma basicamente por imitação, garante a sobrevivência. É meio de civilização, artefato original que passamos boa parte de nossa vida tentando domar e adequar. A maioria dos homens subsiste sob o domíni...

Nas Ondas do Rádio

Uma amiga me contou esta. Foi passar férias de verão em Santa Catarina. Primeiro dia: Desfaz as malas e ainda sobra um tempinho à tarde para o sol abençoado. Segundo dia: Levanta cedo e vai direto para a praia. Sol para lá, banho de mar para cá, papo pro ar, cervejinha, almoço na beira do mar... E à tarde. Ah! À tarde a sesta merecida, aquela siesta especial, que nem se pensa em tirar no corre-corre do dia a dia. Lá pelo terceiro dia nota que está faltando alguma coisa e não se lembra do que é. Está tudo perfeito, ela planejou estas férias o ano inteiro. O que será? - Deixa prá lá – pensa – Depois eu descubro. Era só o que me faltava, procurar sarna para se coçar – finaliza ela e tenta dormir. Na hora de dormir procura algo na mala. Lá no fundo, o radinho de pilha. Liga-o e tenta sintonizar alguma rádio. Era isso que estava faltando, o radinho! Qual a babá que consegue trabalhar sem um radinho ligado? Quem nunca entrou no carro e não ligou involuntariamente o rádio, que atire a...

A Mais Pura Verdade

O semáforo fechou. O menor que dirigia o Corolla engatou uma ré o estrago estava feito no carro que esperava abrir o sinal. Fuga e substituição do inexperiente motorista e o chamamento da galera para restabelecer a “verdade” e o novo cenário. Alguém que estava numa esquina próxima viu claramente o adolescente dar ré e bater no carro de trás. A testemunha foi agredida pela ousadia de querer restabelecer o acontecido. O mais irônico foi ter que ouvir: “O velho, além de barbeiro, bateu atrás e acha que tem razão”; como consenso na multidão então formada com o acidente. Quando algo parece evidente aos olhos da maioria, o autor passa a vítima num piscar de olhos. Ao embasar sua afirmação na aparência e induzi-la pelo que é comum em situações parecidas, carreia para si a prerrogativa da verdade e da razão. Daí em diante é quase impossível desenrolar o nó que se avoluma com base numa premissa falsa, mas com cara e elementos agregados que lhe conferem o viés de autenticidade. A crença na ve...

Convicção, Uma Luta de Todos Nós

Confiança, crença e convicção são atributos que se conquistam junto ao nosso interlocutor. Podem ser lógicos, cristalinos, mas precisa haver empatia para que se estabeleça a ponte par ao início de um processo de convencimento. E o que fazer então com essa sensação de angústia permanente que nos ameaça e nos deixa impotentes, com falta de ar, cada vez que resolvemos esmiuçar tais conceitos? Porque a certeza vai sempre por água abaixo quando se trata do raciocínio sobre o universo, do prosaico quem somos, de onde viemos e para onde vamos? A ignorância é uma sensação consoladora. De posse dela, tudo se torna aparentemente fácil. É pretensão demais da nossa parte querer achar respostas ou discutir aqui questões filosóficas que os sábios ao longo dos séculos vem teorizando a respeito. Há estudiosos do pensamento da atualidade capazes de defender suas teorias com veemência e fundamento. Mas não há de se contestar que o conhecimento não é passaporte para a tranqüilidade de ninguém. O pensa...

A música das Esferas

Quem de nós não se lembra do famoso Teorema de Pitágoras? Pois é. Mais conhecido como matemático, Pitágoras, passeava pelas diversas áreas do conhecimento, na ânsia de um entendimento da existência humana e do universo, que fugisse ao olhar mitológico do século 538 a.C. Conta a lenda que ao ouvir um ferreiro, identificou no golpear dos ferros com diversos martelos diferentes, sons harmônicos. Quis descobrir o que distinguia os tons e notou que a diferenciação não dependia da força do golpe, do feitio dos martelos ou dos variados tipos de ferro golpeados. Pesou os martelos e percebeu que o peso de quatro deles estava numa proporção de 12, 9, 8 e 6. Prosseguindo a experiência, fixou um prego na parede, amarrou quatro cordas idênticas em material e comprimento e pendurou na extremidade de cada uma, pesos iguais aos dos martelos do ferreiro. Tocou duas cordas ao mesmo tempo, ora um par, ora outro. O martelo mais pesado tinha o dobro do mais leve e lhe forneceu a oitava mais grave. Os prin...

Palavra Proibida

Ela está aí, presente. Muda de cara conforme a densidade populacional, mas ameaça entrar pela nossa porta. Não sabemos ao certo se confiamos nos índices que dizem que a criminalidade aumentou ou se são os meios de comunicação que nos fazem senti-la próxima. Por mais que se queira crucificar a mídia, não há como tirá-la da convivência conosco. É claro que a exposição é maior quando se trata de pessoas influentes, ligadas ao meio artístico, como aconteceu nas últimas semanas. Atropeladores que não socorrem e querem se safar, policiais recebendo propina para livrar o envolvido, assassinatos, corpos sumidos, numa avalanche de notícias ruins, onde a agressão ao ser humano foi a tônica. Compadecemo-nos pelo sofrimento da humanidade e ao mesmo tempo acionamos o medo quando não sabemos se o desconhecido que vem em nossa direção, vai nos pedir uma informação ou sacar um revólver. Não adianta. A adrenalina dispara, preparamo-nos para o ataque ou para a fuga, se as nossas pernas o permitirem. P...

Processo Decisório: Uma Reflexão para o Líder

A liderança impõe-nos decisões a todo instante e nem sempre bem recebidas pelos liderados, por mais que o terreno tenha sido preparado com cuidado. Mesmo o líder mais tarimbado, ressente-se das reações que as opções inexoráveis, que obrigatoriamente exigem mudanças profundas na postura da equipe daí em diante, provocam nas pessoas. Afinal, ele também é um integrante do time e sabemos como dói sermos temidos quando tomamos decisões que a nossa consciência entende adequadas, mas que não agradam a todo mundo e não é exatamente aquilo que nós mesmos gostaríamos de fazer, se tivéssemos alternativa melhor. Buscamos a unanimidade mesmo concordando com quem disse que “toda unanimidade é burra”. Preferimos nos iludir e achar que somos queridos e amados, unicamente porque as pessoas envolvidas não nos deram feed-back, retorno, quando atingidos pela nossa resolução. As regras de convivência recomendam que se evite a zona de atrito. Temos que ser diplomatas sempre, dizer somente aquilo que os o...

Dilemas da Liberdade de Escolha

Não ter medo, ser ousado, lidar com a adversidade e com as falhas humanas, - visto que, invariavelmente, em algum momento, erramos -, são atributos que entendemos necessários a àqueles que aspiram deter a tão propalada liberdade de escolha. Porém, qualquer autonomia esbarra na adesão forçada a que são submetidos aqueles que integram a base da pirâmide da nossa sociedade. Os direitos pessoais têm como limite o direito alheio, com base nas regras delimitadas pelo Estado. A insegurança e a incerteza são sentimentos que sempre permearam o viver dos menos favorecidos. Num mundo onde a segurança dos direitos pessoais obrigatoriamente se alicerça na garantia dos direitos políticos, sem estes últimos, não se pode confiar nos primeiros. A liberdade se torna um sonho inalcançável. Os problemas são globais, repercutem nas questões locais e não admitem soluções gestadas no microuniverso, aqui em Pindorama. O efeito dos acontecimentos econômicos mundiais, que privilegiam poucos e excluem muitos,...

A Lógica de Cada Um

Normalmente a lógica cai por terra quando se argumenta com alguém e o sujeito concorda de pronto. No pressuposto de que a concordância seja porque está convencido e não porque o vencemos no cansaço. Porque se foi a fadiga, estorna e segue o baile. O interlocutor está convicto de que a nossa argumentação é correta para que ele faça ou deixe de fazer determinada ação ou tenha certas atitudes. Prepare-se para o xeque mate: “É. Você tem está certo, mas eu não gosto. Eu não quero”. Nessas circunstâncias, capitulamos. Contra a ausência de lógica ou de vontade, não há idéia ou procedimento que vá em frente. E o que é inconcebível para que se pauta pela coerência nas atitudes, para o outro é basicamente o predomínio do instinto. “Não estou com vontade de fazer”. O não fazer significa abrir mão das melhorias que o novo posicionamento traria. Mas se ele não aprecia a idéia ou não quer, significa que não está disposto a correr riscos para alcançar certos objetivos. Ou então, a última alternativ...

Don`t Cry for Maradunga

Compulsão por Compras

O seu cartão de crédito não comporta mais nem compras no R$ 1,99, mas você continua ali, hipnotizada na frente da vitrine ante aquele suéter maravilhoso. Não adianta esfregar as mãos, rapazes, que a analogia vale para os homens também. Troca só a vitrine e lá está você. Imóvel, frente àquele acessório (in)dispensável para o carro que há tempos não sai da sua cabeça. Analise a situação. Você está convencido de que precisa dominar os instintos. Tem certeza dos aborrecimentos que a atitude irá lhe trazer, mas ainda assim, alguma coisa lá no fundo diz eu quero. E quando se quer, parece que tudo o mais se anula. E se o lado negativo da ação fica zunindo na cabeça, tenta-se não pensar nele. Esquecer é temporário. Se o assunto é importante para nós, vamos nos deparar com ele novamente logo, logo. Que instrumento poderoso é o querer! É ele quem nos move. Quando aspiramos muito por algo, não tem quem nos segure. Passa a ser a coisa mais importante para nós e concentramos todos os esforços e...

A Resposta

Eles até podem fazer com as pessoas o que quiserem e a opção de não responder, opinar, negar ou manifestar qualquer reação no ato, exceto a aceitação, não significa que realmente tenham feito o que desejaram com outrem. Quer dizer apenas que seus alvos se reservaram o direito de não reagir. O que as “vítimas” vão fazer com o ocorrido, com a informação, bem como os posicionamentos que venham a adotar ou decisões que porventura tomarão em conseqüência das ações que lhe foram provocadas é algo que lhes cabe somente e igualmente se dão ao luxo de dar conhecimento ou não à parte que lhes afrontou. Se o fizerem, será no momento adequado, com a forma de comunicação que lhes for conveniente. E, talvez agora, os autores também não esbocem a reação esperada quando lhes for dado conhecer, simplesmente por não perceber a resposta que lhes está sendo dada. Como diria o magnífico escritor José Saramago - recentemente falecido – em sua obra A Caverna: “O importante é o caminho que se fez, a jornada...

Vitalidade - O Segredo

Existem pessoas que parece que o cansaço não as atinge. Estão sempre dispostas e com um sorriso nos lábios. E ficamos imaginando de onde tiram tanta energia. Não significa, necessariamente, que estamos falando de alguém no auge da juventude, quando a vitalidade é uma característica ou pelo menos, deveria ser. Temos que reconhecer que tem muito jovem de quinze, vinte anos, que parece estar carregando o mundo nas costas, tamanha a falta de vontade para a vida. Normalmente, as pessoas que tem o maior gás, independente da idade, são movidas a desafios. A cabeça é um turbilhão. Nem bem terminam um projeto e já estão metidas em outros. O que executam agora começou a ser planejado, quando o penúltimo trabalho estava em andamento. Costumam explicar tudo, como se tivessem que dar satisfação para o mundo. Antes de enxergarmos culpa no cartório naquele amigo que tem esta distinção, convém examinarmos com mais carinho se o ato de justificar tudo, não se trata de um compromisso extremo com a coe...

As Diversas Maneiras de Amar

Os casais possuem códigos que só tem significado para eles. Óbvio demais. Fundamentais, diria Roberto Carlos, o romântico. “...detalhes tão pequenos de nós dois...” Para quem olha de fora é pagar mico como diz a gurizada hoje em dia. Para o casal, pequenas relíquias que compõem a história de uma vida. Uma amiga distante, me conta ao telefone das estrepolias do marido, que está se bandeando para outro relacionamento, depois de um casamento de décadas. - Resolvi desprezar mesmo. Não separo mais as asinhas da galinha que ele gosta de comer. Ele que se vire! Se não a conhecesse tão bem, diria que estava brincando. Pequenas gentilezas, alimentos do amor, tomam um sentido enorme, quando do rompimento. Há atitudes que substituem as palavras. Imagine a cena: Depois de duas semanas sem se ver, a mocinha pede ao namorado: - Diz que me ama. - Mas eu te mandei flores na semana passada - Responde o rapaz com ar de surpreso. - Ué, e isso quer dizer que me ama - Surpreende-se ela. - Claro q...

Queremos ser lembradas, sim. E daí?

Todas nós mulheres adoramos ser lembradas, principalmente quando se acorda de manhã e tem alguém entregando um ramalhete de flores na sua porta. Nestas horas, esquecemos o mau humor matinal e abrimo-nos em sorrisos. Fechando mais um numero na casa dos inta e chegando nos enta? Não importa. É o seu aniversário e aqueles que lhes são caros estão homenageando-a. Um presentinho, as flores e o abraço da família e dos amigos. Telefonemas daqueles amigos distantes, tudo contribui para que você passe o dia nas nuvens. Vamos, é seu aniversário, usufrua! Hoje é seu dia especial. Anos atrás, nos dias que antecediam ao aniversário de um familiar, encontramos a aniversariante aflita com os “micos” e inúmeros telefonemas característicos da data. Intimamente ela até gostava, mas se constrangia em se ver no centro das atenções, quando o passar do tempo já lhe indicava não ser mais uma jovenzinha. Pouco tempo antes, chamou-nos a atenção uma entrevista na TV com um professor americano radicado no Bra...

No olho do furacão

Heráclito dizia que nada é permanente, exceto a mudança. E o que falar então de um mundo onde a velocidade da comunicação faz com que o morador da barranca do Uruguai, com uma parabólica espetada, saiba que houve queda nas bolsas de Kuala Lumpur na Malásia, há poucos minutos? Ele visualiza, presencia os fatos em tempo real. Mas será que é mesmo assim? O que buscamos para a nossa vida seja no sentido material, filosófico, religioso ou qualquer coisa que o valha é exatamente a constância. Pois é. Hoje estamos que nem cachorro tentando morder o rabo. Buscamos a estabilidade e para alcançá-la vivemos correndo atrás dela, sempre parecendo que quanto mais próxima está, mais ela se esvai. O que seria deste nosso planeta se ele não estivesse estável nos eixos, naquele eterno movimento de rotação e translação, como nos ensinaram nos bancos escolares? Aquecem ou esfriam as águas do Oceano Pacífico e lá vem El Nino ou La Nina tirar o nosso ao provocar a instabilidade do clima e coloca toda a ...

Trabalhar não mata ninguém

Trabalhar não mata ninguém. O que mata mesmo é a ausência do trabalho. Quer desespero maior que a ociosidade? Quem nunca olhou nos olhos de um pai de família e enxergou dentro dele a dor que mata? A dor de não ser produtivo, de não contribuir para a manutenção dos seus. Trabalho em sua essência é o que sentimos prazer em realizar. Aquele do qual gostamos e fazemos bem feito. E não é, necessariamente, sinônimo de trabalho intelectual. O jardineiro, por exemplo, que deixa o nosso jardim “um brinco” e que ao receber o pagamento pelo seu serviço faz questão de ir até sua casa, trocar de roupa e vir com uma roupa simples, porém limpa e asseada, realiza-se naquilo que faz e assim mostra o melhor de si. Não medimos esforços quando temos um desafio, uma tarefa a cumprir. Principalmente quando encontramos sentido naquilo que fazemos. – Mas eu não gosto do meu trabalho, eu queria ser outra coisa e não o que sou hoje, não ganho o que acho que mereço – Podemos acalentar nossos sonhos, mas temos...

Pena é um sentimento dispensável

Alguém passa à frente de um lar de idosos numa manhã de outono. Alguns conversam, mas a maioria está calada, olhar distante, como se fitasse o infinito. Esta aparente desconexão com o mundo leva quem passa a dizer "coitados!". A cena se repete com frequência e alguns dos internos já não querem mais tomar o banho de sol ali na frente. Uns pouco escutam, outros não enxergam direito e muitos cuja dificuldade é a locomoção, preservam os sentidos em dia e são os que se aos poucos se recolhem ao fundo do pátio. "Coitado, uma ova", revelam-nos depois. "Eu estou muito bem aqui. Não preciso da pena de ninguém". Velhos todos seremos e mais dia menos dia alguma função do corpo, vital ou não irá se degenerar, mas isso não é motivo para se fazer de vítima. O papel de vítima é confortável, embora como tudo na vida tenhamos que pagar um preço por ele. É louvável o arroubo de dignidade em não se prestar a tal papel. As dificuldades físicas são um prato cheio para a acom...

Lidando com opiniões não solicitadas

“Obrigado(a), mas quando eu quero ou preciso de opinião, normalmente eu peço”. Conta-se nos dedos quem tem coragem de dizer a frase acima àquele que resolveu emitir seu parecer sem ter sido consultado, com a fleuma de um súdito da rainha da Inglaterra. Convenhamos, uma resposta dessas ou similar encerra a questão e, se houver, termina também com a amizade ou qualquer relacionamento. Sentimo-nos inclinados a expressar nosso juízo sobre aquilo acontece ao redor, sobre o bate-papo que estamos participando... Até aí tudo bem. Se alguém está abrindo uma questão num grupo presume-se que saiba de antemão que está se expondo e em conseqüência, deve ter capacidade de absorver as argumentações que virão. Do contrário, é melhor nem provocar o assunto. Poucas pessoas se mostram receptivas a críticas quando em público. E se há dificuldade em administrar isso, a tendência da maioria é se esconderem sob o rótulo da timidez. Ou ainda, sob o direito que cada um tem à sua privacidade e reparti-la some...